Com quase três décadas dedicadas ao fisiculturismo, Celso Reis é hoje uma das figuras mais respeitadas na arbitragem da NPC e IFBB, atuando como árbitro central em diversos campeonatos do Muscle Contest Brasil. De fala serena e olhar técnico, Celso compartilhou com o portal detalhes de sua trajetória, experiências marcantes e opiniões firmes sobre ética, favoritismo e os desafios de julgar o esporte mais visual e subjetivo do mundo.
Uma trajetória construída no palco e na arbitragem
Formado desde 1994, Celso começou sua trajetória no fisiculturismo em 1993, competindo pela antiga IRBB antes de migrar para a NABA, onde acumulou experiência em inúmeros campeonatos.
“Estou no fisiculturismo desde 1994. Joguei campeonatos da IRBB, depois atuei na NABA por muitos anos, e desde 2018 estou no Muscle Contest. Já são quase oito anos atuando oficialmente na arbitragem da NPC”, conta.
Segundo ele, essa vivência dupla – como atleta e árbitro – é o que o torna mais completo:
“Saber o que o árbitro pensa é fundamental pra quem compete.”
Bastidores e experiências marcantes
Entre centenas de campeonatos, alguns momentos ficaram marcados.
“Como atleta, o mais marcante foi o Universo, a primeira vez que pisei naquele palco. Já como árbitro, meu primeiro campeonato com a Muscle Contest foi em 2018 — uma honra imensa”, relembra.
Durante a pandemia, uma cena inesquecível:
“Estávamos em Campinas, com um pelotão de policiais atrás esperando o campeonato acabar pra desligar a energia. Foi correria pra terminar tudo antes que fechassem o evento.”
O que o público não vê
“Julgar é uma responsabilidade enorme. O público muitas vezes acha que o árbitro favorece alguém, mas não é assim”, explica Celso.
“Existe um livro de regras da NPC que define exatamente o que deve ser avaliado. Volume, proporção e condicionamento são os três pilares. O árbitro apenas aplica o que está escrito.”
Critérios e percepções dentro da mesa
“Tudo tem que ser pesado: volume, proporção e condicionamento. Tenho um olhar voltado à proporção, talvez por vir das artes. Mas jamais deixo de considerar os outros critérios.”
Sobre os empates:
“Quando há empate, entra o árbitro central pra desempatar. A gente conversa, troca percepções. Tudo é feito pra ser justo.”
Polêmicas e ética
“Na maioria das vezes, eu nem sei quem é patrocinado ou não. Isso é uma bobagem. A política suja contaminou o pensamento das pessoas, mas aqui não tem isso.”
Celso foi um dos criadores do Código de Ética da Arbitragem da NPC Brasil:
“O árbitro precisa ser ético dentro e fora do palco. O que você é na vida pessoal, você leva pra profissional.”
Formação e atualização dos árbitros
“Primeiro, a pessoa precisa ter experiência. Muitos vieram da FBB e nós os trazemos pra dentro da NPC, explicando o código de ética e como trabalhamos. Outros estão sendo formados aqui dentro. É preciso estudar, acompanhar campeonatos, viver o esporte.”
“Muitos árbitros também são personal trainers. É cansativo, mas é paixão.”
Educação e regras
“O público precisa estudar mais. Temos um livro com todas as regras. Muita gente não sabe que uma atleta pode ser desclassificada por detalhes como acne na pele. São pequenas coisas que fazem diferença.”
Ética, transparência e formação contínua
“A NPC envia semanalmente e-mails com resultados e atualizações. Nenhum árbitro está acima da regra. Nosso papel é aplicar o que o esporte determina.”
“Educação pra quem assiste, pros coaches e pros atletas. Quanto mais conhecimento, mais credibilidade.”
O legado de um árbitro justo
“O árbitro não é inimigo do atleta — é um aliado. Está ali pra avaliar o que está no palco. Queremos ser lembrados como justos.”
Aos atletas que se sentem injustiçados
“Pra quem acha que foi injustiçado, eu digo: trabalho, trabalho e mais trabalho. Se não ganhou, veja o que pode melhorar e volte. O árbitro julga o que está no palco — educação e profissionalismo acima de tudo.”
Brasil e Estados Unidos: mesmos critérios
“Não existe diferença de critério entre Brasil e Estados Unidos. O que muda é o nível dos atletas. O padrão é o mesmo.”
A evolução do esporte
“Os critérios mudaram muito. Hoje o fisiculturismo é popular, e isso se deve à chegada da NPC ao Brasil. O Tamer foi visionário. Dez anos atrás, isso era um sonho — hoje é realidade.”
A paixão que move tudo
“Estar ali, ver cada atleta realizar um sonho, isso é o que move a gente. É cansativo, mas o amor pelo esporte fala mais alto.”
🇺🇸 English Version
Celso Reis: The Vision of One of Muscle Contest’s Top Judges on Ethics, Criteria, and the Backstage of Bodybuilding
By Muscle Show Magazine
📸 Suggested photo: Celso Reis judging at Muscle Contest São Paulo 2024
📝 Caption: Technique, serenity, and decades of experience — Celso Reis has become one of NPC Brazil’s most respected judges.
With nearly three decades dedicated to bodybuilding, Celso Reis is one of the most respected judges in NPC and IFBB, serving as head judge in several Muscle Contest Brazil events. Calm and analytical, he shared insights into ethics, favoritism, and the challenges of judging one of the world’s most visual and subjective sports.
A Career Built on Stage and in the Judging Panel
“I’ve been in bodybuilding since 1994. I competed in IRBB shows, worked for NABA for many years, and since 2018 I’ve been judging with Muscle Contest. It’s been almost eight years.”
“Knowing how a judge thinks is essential for anyone who competes.”
Behind the Scenes and Memorable Moments
“As an athlete, the Universe championship was unforgettable. As a judge, my first Muscle Contest show in 2018 was a huge honor.”
“During the pandemic, police were waiting behind the venue to cut the power — we had to finish before they shut it down. That shows how much passion drives us.”
What the Public Doesn’t See
“Judging carries huge responsibility. The audience often thinks we favor someone, but that’s not true.”
“The NPC rulebook defines exactly what must be evaluated: volume, proportion, and conditioning. Judges only apply what’s written.”
Criteria and Perceptions
“You can’t pick just one — volume, proportion, and conditioning all matter. My eye leans toward proportion, maybe because of my art background.”
“When there’s a tie, the head judge breaks it. We discuss, exchange views. Everything is done for fairness.”
Controversies and Ethics
“Most of the time, I don’t even know who’s sponsored or not. That’s nonsense. Politics made people distrust everything, but here it’s different.”
“I wrote the NPC Brazil Judges’ Code of Ethics. A judge must be ethical inside and outside the stage.”
Training and Updates
“Judges must have experience. Some came from FBB, others are trained within NPC. You must study, attend shows, and live the sport.”
“Many judges are also personal trainers — it’s exhausting, but passion drives us.”
Educating the Public
“The audience should read more. Our rulebook explains everything. A competitor can be disqualified even for details like acne. Small things matter.”
Ethics, Transparency, and Education
“The NPC sends weekly updates. No one is above the rules. Our role is to apply what the sport determines.”
“Education for spectators, coaches, and athletes — the more knowledge, the more credibility.”
The Legacy of a Fair Judge
“A judge is not an enemy — we’re allies. We evaluate what’s on stage. We want to be remembered as fair.”
For Athletes Who Feel Wronged
“My message is: work. Work, work, and work again. If you didn’t win, improve and come back better. Judges don’t judge people — we judge physiques.”
Brazil vs. USA: Same Standards
“There’s no difference between Brazil and the U.S. The only variation is athlete level. The standards are identical.”
The Evolution of the Sport
“Bodybuilding evolved. Ten years ago, competing alongside Mr. Olympia was a dream. Today, it’s reality — thanks to NPC and Tamer’s vision.”
The Passion That Drives Everything
“Seeing each athlete fulfill a dream — that’s what keeps us here. It’s intense, but passion speaks louder than anything.”


