Ganhar dinheiro com a plataforma Onlyfans, afunda a carreira de atletas?
Nos últimos anos, um número crescente de atletas profissionais — incluindo fisiculturistas, lutadores de MMA, nadadores, ginastas e tenistas — passou a adotar o OnlyFans como fonte de renda adicional .A tenista australiana Arina Rodionova abriu sua conta em fevereiro de 2025, motivada por um seguidor, e destacou que a plataforma precisava ser vista como alternativa viável para sustentar sua carreira .
No Reino Unido, Jack Laugher, medalhista olímpico em saltos ornamentais, e outros atletas britânicos passaram a oferecer conteúdo no OnlyFans como resposta à remuneração baixa (cerca de £28 mil/ano) nos circuitos esportivos britânicos .
No Brasil, o ginasta olímpico Rankiel Neves, ao ficar sem clube em 2024, criou uma conta pública no OnlyFans para gerar renda nas suas próprias palavras: “trabalhar com imagem que é algo que gosto” — ressaltando que as publicações não são explícitas.
Quando o OnlyFans colide com regras esportivas
Nem todo mundo tem liberdade para essa escolha. O caso do canoísta britânico Kurts Adams Rozentals é emblemático: ele foi suspenso pela Paddle UK por usar o OnlyFans para financiar sua participação olímpica e afirma ter ganhado mais de £100 mil desde janeiro de 2025. A federação, preocupada com condutas e imagem, abriu investigação disciplinar e o removeu do programa olímpico até que tudo seja esclarecido .
Fisiculturistas e criadoras de conteúdo: entre ganhos milionários e críticas
No Brasil, a ex-fisiculturista Elis Nebsniak, vice-campeã paranaense de Wellness pela IFBB, decidiu deixar o esporte após se sentir “feia e masculina” nos padrões das competições e hoje fatura cerca de R$ 60 mil por mês com conteúdo no OnlyFans e outras plataformas .
A modelo Suzy Cortez, ex-Miss Bumbum e já chamada de “Fitness Queen”, faturou cerca de R$ 2,5 milhões por mês na plataforma e planeja competir no físico wellness no Mr. Olympia 2023, reforçando que os conteúdos no OnlyFans não impediram sua ambição no esporte .
A polêmica: OnlyFans ajuda ou atrapalha a carreira esportiva?
Benefícios percebidos:
Renda direta e estável, especialmente em esportes com patrocínios modestos.
Controle total da própria imagem e comunicação com fãs, sem intermediários.
Amplia visibilidade, o que pode atrair patrocínios ou novos públicos fora do circuito tradicional.
Riscos e críticas:
Conflitos com federações e políticas de imagem, que podem levar a suspensões (como no caso de Rozentals) .
Estigma social, especialmente para mulheres, sujeitas a julgamentos morais e discriminação mesmo quando o conteúdo não é explícito .
Desvio de foco esportivo: como observou Miesha Tate, ex-campeã do UFC, aderir ao OnlyFans pode causar distrações e fazer com que a atenção se concentre mais no conteúdo sexual do que nas conquistas esportivas .
Exemplos de vozes brasileiras e internacionais
Miesha Tate, ex-lutadora do UFC, se retratou após dizer que não queria entrar no OnlyFans para não correr o risco de ser vista como alguém que luta “por atenção secundária”, reforçando que sua motivação era manter o foco e o respeito no esporte .
No Brasil, Felice Herrig, ex-lutadora de MMA, afirmou que chegou a ganhar mais com OnlyFans do que em suas lutas no UFC, o que facilitou sua saída da carreira ativa .
Panorama geral: equilibrar autonomia e reputação
O OnlyFans aparece como resposta a um problema real: a dificuldade de muitos esportistas manterem-se financeiramente dentro dos próprios esportes, que ainda não oferecem estrutura ou patrocínios adequados — especialmente fora de modalidades majoritárias .
Mas a plataforma também desafia códigos sociais e institucionais. Quem opta por esse caminho às vezes enfrenta censura, perda de apoio institucional e problemas na reputação — notadamente em modalidades consideradas “mais tradicionais” ou conservadoras.
Conclusão
A decisão de um atleta de fisiculturismo — ou de outras modalidades — ingressar no OnlyFans não é neutra: ela traz potenciais benefícios financeiros e de autonomia, mas também estimula debates sobre imagem, moralidade, foco esportivo e política institucional.
Para alguns, o OnlyFans é uma ferramenta libertadora; para outros, representa um risco à carreira. E o que parece dominar é a individualidade: cada atleta avalia sua trajetória, escolhas e consequências. O futuro indicará se essa tendência se consolida como fonte legítima de renda ou se será vista como distração do esporte profissional.


