Desinibição no Fisiculturismo: Beber Vodka Antes do Palco é Estratégia, Tradição ou Loucura?
Por Muscle Show Magazine
O mundo do fisiculturismo é feito de segredos. De rituais silenciosos nos bastidores, de estratégias que vão além da dieta e do treino. Um desses segredos — quase um tabu — é o uso de álcool, especialmente vodka, momentos antes da apresentação no palco.
A prática divide opiniões e levanta uma pergunta polêmica: beber antes de competir é técnica ou loucura?
O “golinho” que acalma os nervos
Entre os bastidores de grandes eventos como Muscle Contest, Arnold Classic e Olympia Amateur, o tema é conhecido. Alguns atletas admitem discretamente que um shot de vodka faz parte da preparação final.
“Eu não fico bêbado, é coisa mínima. Um gole, só pra soltar a mente e parar de tremer. Eu fico mais natural nas poses”,
conta um atleta da categoria Men’s Physique, que preferiu não se identificar.
“Quando você sobe tenso, o corpo parece travado. E o jurado percebe.”
A justificativa é simples: o álcool reduz a ansiedade, provoca leve vasodilatação, deixando os músculos mais cheios, e tira o medo de errar.
“Já ouvi de atletas que o copinho de vodka é como o ‘óleo da confiança’. Mas isso é uma faca de dois gumes”,
alerta Celso de Jesus Reis, árbitro da NPC e IFBB Pro League no Brasil.
“O palco exige controle absoluto do corpo. Se o álcool tira o nervosismo, ele também tira o controle.”
O ponto de vista médico: “Brincar com o álcool em desidratação é perigoso”
O Dr. Luiz Pablos, médico esportivo que acompanha atletas de elite, é direto:
“No dia do show, o corpo do atleta está no limite da desidratação e do estresse metabólico. O álcool altera a pressão arterial, o equilíbrio e o reflexo motor. Um gole pode parecer inofensivo, mas o efeito pode ser devastador dependendo da condição física do atleta.”
Segundo ele, o álcool pode causar vasodilatação momentânea, mas também reduz a capacidade de contração muscular e foco mental.
Em outras palavras, o que parece uma ajuda rápida pode sabotar meses de preparação.
Entre superstição e tradição
Nos bastidores, a prática é antiga. Em campeonatos na Europa e nos Estados Unidos, veteranos contam que nos anos 80 e 90, shots de vodka ou conhaque eram comuns entre os competidores — especialmente entre os Bodybuilders Clássicos.
“Nos bastidores do Arnold, já vi atleta tomando whisky antes de subir. Mas eram outros tempos”,
lembra Walter Krause, treinador e ex-atleta.
“Hoje, o nível de profissionalismo é muito maior. Com tantos recursos de controle emocional, não faz sentido arriscar.”
O impacto psicológico: desinibição ou fuga da tensão?
O psicólogo esportivo Dr. Rafael Monteiro, que atende atletas de competição, explica que o álcool funciona como um “atalho emocional”.
“O atleta quer eliminar o medo e aumentar a confiança. Mas o verdadeiro controle vem do preparo mental, da visualização e da prática das poses. O álcool cria uma sensação falsa de segurança, e isso pode gerar comportamentos impulsivos — desde exagerar nas poses até errar expressões.”
O que dizem os árbitros
“Já percebi atleta com olhar vidrado, meio perdido, exagerando na performance. É visível. E geralmente, perde pontos”,
revela um árbitro da IFBB Pro League internacional.
“O palco é como um espelho: o que o atleta sente, o público vê. O álcool até pode disfarçar o nervosismo, mas não engana os olhos experientes de quem julga.”
Alternativas seguras para o controle da ansiedade
Vários treinadores já substituíram o “ritual da vodka” por estratégias mais eficazes:
Respiração consciente e técnicas de grounding minutos antes do palco.
L-teanina e GABA natural — compostos que relaxam sem afetar a coordenação.
Sessões de ensaio com música e público simulado, para reduzir o impacto da estreia.
Visualização guiada e âncoras mentais — práticas usadas por atletas olímpicos.
“O palco é o momento mais sagrado. Nenhuma dose de álcool substitui o controle que vem do treino, da mente e da autoconfiança”,
reforça Athos Moraes, coach de atletas IFBB Elite e NPC.
Conclusão: a fronteira entre coragem e imprudência
No mundo do fisiculturismo, onde cada sombra e cada fibra contam, não há espaço para o improviso químico.
Beber antes de subir ao palco pode parecer uma solução rápida — mas é, na verdade, um risco silencioso.
No fim das contas, a verdadeira desinibição vem de dentro.
Do corpo que foi lapidado e da mente que aprendeu a dominar o medo.
E quem precisa de um gole pra brilhar, talvez ainda não esteja pronto para o palco.
Pergunta do dia:
Você acha que o álcool pode ajudar na performance no palco?
Ou é um erro que deveria ser banido dos bastidores?
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