Arbitragem, mídia, bastidores e a consolidação da Muscle Contest no Brasil
Por Muscle Show Magazine
No fisiculturismo, nem todos os nomes que fazem o esporte crescer estão no palco. Alguns estão nos bastidores, conectando pessoas, estruturando eventos, formando árbitros, registrando histórias e garantindo que cada competição funcione com credibilidade. Este é o caso de um dos personagens mais influentes do fisiculturismo brasileiro moderno.
Querido por muitos, respeitado por todos e conhecido também por seu jeito direto — às vezes interpretado como antipático — ele construiu uma trajetória marcada por técnica, consistência e compromisso absoluto com o esporte.
O INÍCIO: QUANDO A TÉCNICA VEIO ANTES DO PALCO
Sua relação com o esporte começa no início dos anos 2000, no Rio Grande do Sul, longe do glamour das grandes competições internacionais. Vindo do powerlifting, ele nunca teve o desejo de ser atleta de fisiculturismo. Seu interesse sempre foi entender o corpo humano sob a ótica da avaliação técnica.
Foi nesse contexto que realizou seus primeiros cursos de arbitragem regional, seguido pelo curso nacional em Brasília, ao lado de nomes que ajudaram a formar a base da arbitragem brasileira moderna.
“No fisiculturismo, se você deixa um detalhe para trás, o corpo fica incompleto.”
Essa frase resume sua filosofia: o conjunto sempre vem antes do individual.
ARBITRAGEM: RIGOR, IMPARCIALIDADE E RESPEITO AO ATLETA
Ao longo dos anos, atuou como árbitro em diversas federações, incluindo IFBB, NPC, NABBA e WFF, algo raro em um meio frequentemente marcado por divisões.
Sua mudança para Brasília foi decisiva. Na capital, passou a atuar como árbitro central, apresentador de campeonatos e figura-chave nos bastidores de grandes eventos.
Mesmo com fama de durão, sua postura sempre foi clara:
“Não existe julgamento pessoal. Existe critério.”
Essa coerência técnica o tornou referência — e também alvo de críticas —, mas nunca de questionamentos sobre ética ou conhecimento.
A VOZ DO ESPORTE: MAIS DE 1.000 ENTREVISTAS E UMA DÉCADA DE HISTÓRIA REGISTRADA

Enquanto muitos se dedicavam apenas ao palco, ele entendeu cedo a importância da mídia especializada. Tornou-se representante da Muscular Development Latino (MD Latino), colaborou com a MFM e com revistas tradicionais do setor, como Musculação & Fitness.
Ao longo dessa trajetória, realizou mais de 1.000 entrevistas, cobrindo:
- Arnold Classic South America
- Mr. Olympia Brazil
- Campeonatos estaduais, nacionais e internacionais
- Feiras fitness em todas as regiões do país
“Eu estive em todas as edições do Arnold e do Olympia no Brasil.”
Antes das redes sociais dominarem o mercado, ele já ajudava a construir a imagem de atletas, promover eventos e criar narrativas para o fisiculturismo nacional.
FEIRAS FITNESS: ONDE O ESPORTE ENCONTRA O MERCADO
Sua presença constante em eventos como Expo Nutrition, Arnold, Brasília Capital Fitness, Goiânia Capital Fitness, Pantanal Fitness e dezenas de outras feiras permitiu algo raro: entender o esporte também como indústria.
Foi nesses ambientes que ele conheceu de perto:
- Donos de marcas de suplementos
- Organizadores de eventos
- Dirigentes de federações
- Atletas em início e auge de carreira
“Você passa a entender quem realmente movimenta o esporte.”
Essa leitura de mercado moldou sua atuação futura.
FORMAÇÃO ESTRATÉGICA: QUANDO O CONHECIMENTO VIRA FERRAMENTA
Com formação em Publicidade e Propaganda, pós-graduação em Marketing, além de estudos em Nutrição e registro no CREF, Dr. Caramello uniu prática e teoria.
Passou a palestrar em eventos como Arnold Classic e Mr. Olympia Brasil, falando sobre:
- Marketing para atletas
- Posicionamento de marca pessoal
- Profissionalização do esporte
- Relação entre performance, imagem e mercado
Sua análise é direta:
“As redes sociais criaram oportunidades, mas também ilusões. Nem todo mundo consegue viver só disso.”
2017: A CHEGADA DA MUSCLE CONTEST AO BRASIL
O ano de 2017 marca um ponto de virada. Com a chegada de Tamer El Guindy ao Brasil, nasce a Muscle Contest Brazil e a revolução do fisiculturismo no país. Tamer e sua equipe diretiva constrói um sucesso e um legado impressionante, posicionando o Brasil como o seguindo maior mercado do mundo.
E o Dr. Caramello estava lá desde o início.
Seu papel foi fundamental: conectar pessoas, abrir portas, apresentar o mercado brasileiro aos organizadores internacionais.
Marcas de suplementos, federações estaduais, árbitros, produtores e atletas passaram por essa ponte.
“O que eu não tinha de contato, eu conseguia.”
O crescimento foi conjunto. Evento após evento, cidade após cidade, a Muscle Contest se consolidou como uma das maiores plataformas de fisiculturismo do país.
Hoje, ele é reconhecido como o profissional mais antigo do projeto no Brasil.
TODAS AS FEDERAÇÕES, UM ÚNICO OBJETIVO
Poucos profissionais transitam com naturalidade por tantas federações diferentes. Ele fez isso porque sempre manteve um princípio claro:
“O atleta vem primeiro.”
IFBB, NPC, NABBA, WFF — todas fazem parte da sua história. O conhecimento das regras, lideranças e estruturas de cada uma delas o tornou uma referência técnica e estratégica.
Isso também explica sua fama de antipático ou grosso. Ele nunca tentou agradar a todos.
Tentou ser correto.
CONCLUSÃO — QUANDO O TRABALHO SILENCIOSO MUDA UM PAÍS
Ao falar sobre a Muscle Contest Brazil, ele resume tudo sem rodeios:
“Foi a Muscle Contest. o Tamer chegou no Brasil e a gente montou a Muscle Contest Brazil. Eu estava ali o tempo todo fazendo essa ponte. A gente foi crescendo junto e hoje eu sou muito grato por tudo o que aconteceu. Eu tenho certeza que o fisiculturismo no Brasil só cresceu por causa desse trabalho. Eu continuo com eles até hoje porque acredito no projeto e no que estamos fazendo pelo esporte.”
Sua trajetória prova que o crescimento do fisiculturismo brasileiro não aconteceu por acaso. Ele foi construído por pessoas que assumiram a responsabilidade de estruturar, conectar e sustentar o esporte.
Nem sempre simpáticas.
Mas sempre necessárias.


