As farmácias no Brasil encontraram nos ultimos anos, um novo nicho para aumentarem o faturamento. Os suplementos nutricionais.
As farmácias já estão movimentando mais de R$ 4,5 bilhões de vendas nos últimos 12 meses. O avanço em relação ao mesmo periodo do ano anterior supera 30% e a previsão é que aumente muito mais, por conta das areas exclusivas que as fármacias estão começando a montar.
As farmácias também estão investindo em treinamento para que seus balconistas estejam mais qualificados para vender e com o aumento da demanda, a tendência é que comprem em maior volume para obterem preços mais competitivos.
Todos os órgãos do segmento, lança olhares para o mundo dos suplementos, categoria subaproveitada nas fármacias. É o caso da ABCFARMA, Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), Sindicato do Comércio Atacadista de Drogas, Medicamentos, Correlatos, Perfumarias, Cosméticos e Artigos de Toucador no Estado de São Paulo (Sincamesp) e Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do estado de São Paulo (Sincofarma-SP).
Os suplementos correspondem a 8,2% do faturamento dos não medicamentos nas farmácias, percentual que escancara o potencial latente desse mercado, na visão do vice-presidente Latam do Close-Up International, Paulo Paiva.
“Basta olharmos o desempenho dos produtos vinculados ao segmento de fitness e life style, que têm crescimento acumulado de 157% nos últimos cinco anos e já movimentam R$ 609 milhões. E é um segmento que ainda responde por apenas 17% da venda de suplementação”, ressalta.

Suplementos em farmácias ainda têm venda concentrada
As grandes redes absorvem mais de 60% do volume de negócios. Mas está aí outro campo oportuno para as farmácias regionais. “A quantidade de suplementos alimentares e vitamínicos permite ao varejo farmacêutico incorporar uma expressiva diversidade ao seu mix, o que se traduz em impacto imediato para as vendas”, acredita.
A concentração reflete-se também na performance das subcategorias de suplementos. As cinco principais geram 74% das vendas.
As cinco categorias que lideram a venda de suplementos em farmácias
(movimentação em milhões de R$ nos últimos 12 meses até fev/2024, de acordo com o Close-Up International)
Fabricantes top cinco em movimentação nas farmácias
(em milhões de R$, de acordo com o Close-Up International)
Associativismo tem caso de sucesso
Mas redes de farmácias associativistas começam a dar seus passos e obtêm ganhos com a venda de suplementos. É o caso do Grupo Total, que congrega mais de 620 pontos de venda (PDVs) das bandeiras Drogaria Total e Total Popular, distribuídos especialmente pelo estado de São Paulo.
Em 2023, a varejista ampliou em 30% o número de SKUs de suplementação e viu a receita crescer 51% em relação a 2022. Cenário bem diferente do de 2019, quando houve queda de 3% no faturamento. “A média de retorno sobre o investimento chega a 33%, o que demonstra o nível de maturidade na oferta ao consumidor”, enfatiza o head de expansão Jair Beloube.
Outra palestrante do dia, a consultora Silvia Osso, explica as possibilidades do mercado de suplementos capitalizar o público da melhor idade. “O consumidor que vai à farmácia pleiteia desconto na aspirina, mas não na barra de cereal. É um segmento com potencial quase ilimitado, se amparado por programa de fidelidade e uma consultoria de saúde e bem-estar individualizada”, entende.
“Até 2050 devemos ter 30% de população idosa no Brasil, o que realça a relevância da venda de suplementos para a farmácia do futuro”, acrescenta o presidente executivo da ABCFARMA, Rafael Espinhel.
Distribuição farmacêutica como canal
Diretor financeiro da Abradilan, Jony Sousa, destacou a atual cobertura das distribuidoras em PDVs do varejo que trabalham com produtos de fitness e life style.
“Hoje já garantimos o abastecimento de 83,5% de farmácias independentes e 83,4% de associativistas que contam com esse portfólio. Nas médias e pequenas redes, o percentual é de 47,2% e 61,8%, respectivamente. Há muito campo para avançar e, por estar em 95% dos municípios brasileiros, a distribuição farmacêutica pode ser um canal precioso para alavancar os suplementos”, finaliza.


