Em entrevista exclusiva à Muscle Show Magazine, treinador revela sua filosofia de trabalho, explica os maiores erros na hipertrofia feminina e fala sobre o futuro da categoria Wellness.
O crescimento da categoria Wellness transformou o Brasil na maior potência mundial do fisiculturismo feminino. Com ela, surgiu uma nova geração de treinadores especializados em desenvolver atletas capazes de competir no mais alto nível internacional.
Entre esses profissionais está Victor Badaró, educador físico há mais de 16 anos, treinador especializado em desenvolvimento feminino e um dos nomes que vêm ganhando destaque pela metodologia baseada em ciência, individualização e planejamento estratégico.
Em entrevista exclusiva à Muscle Show Magazine, Badaró abriu sua filosofia de trabalho, explicou por que tantas mulheres treinam pesado e ainda assim não conseguem desenvolver os glúteos, falou sobre genética, preparação de atletas profissionais, mentalidade competitiva e revelou seus planos para o futuro.
A paixão pelo treinamento começou muito antes do fisiculturismo
Victor conta que sua paixão pelo treinamento nasceu ainda muito cedo.
Apaixonado pela capacidade que o exercício físico tem de transformar não apenas corpos, mas também autoestima, disciplina e qualidade de vida, iniciou sua trajetória nas academias logo após sua formação em Educação Física.
Durante anos trabalhou com treinamento convencional, até que uma oportunidade mudou completamente sua carreira: preparar sua primeira atleta para competições.
Foi ali que descobriu sua verdadeira vocação.
Desde então, passou a estudar profundamente fisiologia, biomecânica, periodização, treinamento feminino e preparação de atletas de alto rendimento.
Hoje sua atuação vai muito além da simples prescrição de treinos.
“Prescrever um treino é apenas uma pequena parte do processo. O treinador precisa entender alimentação, recuperação, comportamento, estratégia de competição e planejamento de longo prazo.”
O treinamento feminino aconteceu de forma natural
Ao contrário do que muitos imaginam, Victor explica que nunca decidiu trabalhar exclusivamente com mulheres.
Segundo ele, isso aconteceu naturalmente.
Desde os primeiros anos como personal trainer percebeu excelentes resultados com suas alunas, principalmente no desenvolvimento de glúteos e membros inferiores.
Com o tempo, passou a estudar cada vez mais as particularidades da fisiologia feminina.
Hoje cerca de 95% de suas clientes são mulheres.
“Existe uma enorme carência de profissionais que realmente entendam treinamento feminino.”
Por que tantas mulheres treinam pesado e não conseguem desenvolver os glúteos?
Essa talvez tenha sido uma das respostas mais importantes da entrevista.
Segundo Victor, o problema quase nunca está na dedicação.
Pelo contrário.
Ele afirma que muitas mulheres treinam com extrema disciplina durante anos, mas utilizam estratégias completamente inadequadas para seu biotipo.
Entre os principais erros estão:
- ausência de uma avaliação funcional completa;
- copiar treinos da internet;
- excesso de volume;
- falta de individualização;
- execução inadequada dos exercícios;
- ausência de planejamento.
“O problema normalmente não é falta de esforço. É falta de estratégia.”
Antes do treino existe a avaliação
Para Badaró, nenhum programa de treinamento deveria começar antes de uma avaliação criteriosa.
Segundo ele, não basta medir percentual de gordura.
É necessário avaliar:
- função muscular;
- mobilidade;
- capacidade de ativação do glúteo;
- limitações articulares;
- compensações musculares;
- padrão de movimento;
- recuperação.
Sem isso, o treinador trabalha praticamente no escuro.
“Primeiro precisamos saber se aquele glúteo está preparado para receber o estímulo.”
Técnica vale mais do que peso
Outro erro recorrente apontado por Victor é a obsessão pelo aumento de carga.
Segundo ele, muitas pessoas acreditam que mover mais peso automaticamente gera mais hipertrofia.
Não funciona assim.
Para ele, o verdadeiro objetivo do treino resistido é direcionar tensão mecânica exatamente para o músculo desejado.
Quando isso acontece:
- diminui compensações;
- reduz risco de lesões;
- melhora a progressão de carga;
- aumenta a eficiência da hipertrofia.
“Não é o exercício que faz o músculo crescer. É a forma como ele é executado.”
Quantidade não é qualidade
Victor também faz um alerta sobre outro erro muito comum:
Treinos gigantes.
Segundo ele, muitas pessoas acreditam que fazer mais exercícios significa estimular mais o músculo.
Na prática, isso frequentemente reduz a qualidade do estímulo.
Para ele, o volume deve ser individualizado conforme:
- experiência;
- recuperação;
- capacidade adaptativa;
- objetivo da atleta.
Treinar mais não significa treinar melhor.
O maior erro: copiar treino de atletas
Uma crítica importante feita durante a entrevista foi ao hábito de copiar protocolos de atletas famosas.
Segundo Victor, isso simplesmente ignora um dos princípios fundamentais do treinamento:
Individualidade biológica.
Cada atleta possui:
- estrutura óssea diferente;
- genética diferente;
- capacidade de recuperação diferente;
- alavancas mecânicas diferentes;
- rotina diferente.
Por isso, o treino que funciona para uma atleta pode ser completamente inadequado para outra.
Os três pilares para construir glúteos
Ao ser questionado sobre quais seriam os pilares do desenvolvimento dos glúteos, Victor resumiu tudo em três palavras.
1. Prescrição inteligente
Tudo começa com uma avaliação completa.
Depois vêm:
- escolha correta dos exercícios;
- progressão;
- controle de volume;
- intensidade;
- frequência.
2. Recuperação
Segundo ele, o músculo cresce durante a recuperação.
Sem:
- alimentação adequada;
- sono de qualidade;
- controle do estresse;
- equilíbrio hormonal,
não existe hipertrofia consistente.
3. Consistência
Esse talvez seja o ponto mais enfatizado por Victor.
Os melhores físicos do Olympia não foram construídos em poucos meses.
Foram anos de trabalho.
“Grandes físicos são construídos ao longo do tempo.”
Genética existe. Mas não decide tudo.
Victor faz questão de reconhecer a importância da genética.
Ela influencia:
- formato muscular;
- recuperação;
- facilidade de hipertrofia;
- resposta ao treinamento.
Entretanto, ele acredita que a genética apenas determina o potencial.
Quem decide quanto desse potencial será alcançado é o planejamento.
“A genética define o potencial. A estratégia determina quanto dele será alcançado.”
O fator psicológico na Peak Week
Outro momento extremamente interessante da entrevista foi quando Victor falou sobre a preparação mental.
Segundo ele, a semana que antecede uma competição é marcada por ansiedade.
É comum que atletas:
- questionem o próprio físico;
- comparem-se com adversárias;
- desejem mudar estratégias de última hora.
Para ele, cabe ao treinador transmitir segurança.
Explicar o que realmente está acontecendo com o físico da atleta.
Manter o foco apenas naquilo que pode ser controlado.
Quando possível, recomenda acompanhamento psicológico durante toda a preparação.
Wellness: o futuro é o equilíbrio
Victor acredita que a categoria Wellness evoluiu enormemente.
Nos primeiros anos predominavam físicos extremamente volumosos.
Hoje o cenário mudou.
Segundo ele, o futuro aponta para atletas capazes de unir:
- glúteos desenvolvidos;
- membros inferiores fortes;
- cintura fina;
- dorsal equilibrada;
- excelente condicionamento;
- apresentação refinada;
- feminilidade preservada.
Para ele, o equilíbrio será cada vez mais valorizado.
Um treinador precisa saber muito mais do que fisiologia
Victor acredita que o conhecimento técnico é apenas o ponto de partida.
Além da biomecânica, fisiologia e cinesiologia, o profissional moderno precisa dominar:
- comunicação;
- posicionamento de marca;
- marketing pessoal;
- liderança;
- ética;
- gestão.
Segundo ele, hoje existem milhares de treinadores tecnicamente competentes.
O diferencial está na capacidade de gerar confiança e construir autoridade.
Individualização acima de tudo
Victor afirma que seu trabalho jamais será baseado em protocolos prontos.
Antes de montar qualquer planejamento ele procura entender:
- histórico da atleta;
- rotina;
- alimentação;
- exames;
- limitações;
- experiência;
- objetivos.
A partir daí todo o planejamento é constantemente ajustado conforme a resposta do organismo.
“Meu trabalho não é entregar um treino. Meu trabalho é acompanhar a evolução e tomar decisões estratégicas.”
O maior sonho
Entre seus objetivos profissionais está consolidar ainda mais sua atuação na preparação de atletas de alto rendimento.
Ele pretende formar novas atletas profissionais, expandir sua atuação na gestão de academias e deixar um legado construído sobre ética, ciência e responsabilidade.
Seu maior sonho, entretanto, é conduzir sua atleta Deise ao palco do Mr. Olympia.
A maior recompensa
Quando perguntado sobre o significado de sucesso, Victor respondeu sem falar em títulos.
Para ele, troféus são consequência.
O verdadeiro sucesso é transformar vidas.
“Sucesso para mim é olhar para trás e ver quantas pessoas se tornaram melhores por terem cruzado meu caminho.”
Mensagem final
Ao encerrar a entrevista, Victor deixou uma mensagem especialmente para mulheres que sonham em construir um grande físico — ou até mesmo competir.
Segundo ele, não existem atalhos.
Grandes resultados são fruto de pequenas ações repetidas diariamente.
Disciplina, paciência, estratégia e constância continuam sendo as ferramentas mais poderosas para quem deseja alcançar o mais alto nível.
“Acredite no processo. Grandes resultados são consequência de pequenas atitudes repetidas todos os dias.”
Muscle Show Magazine
A entrevista completa com Victor Badaró reforça uma tendência cada vez mais evidente no fisiculturismo moderno: a era dos protocolos genéricos está chegando ao fim.
Em seu lugar, ganham espaço treinadores que unem ciência, experiência prática, individualização e acompanhamento contínuo para extrair o máximo potencial de cada atleta.
Mais do que construir glúteos ou conquistar títulos, Victor Badaró demonstra que seu verdadeiro objetivo é formar mulheres mais fortes, mais confiantes e capazes de transformar suas vidas através do treinamento — uma filosofia que vai muito além dos palcos e ajuda a explicar por que seu trabalho vem conquistando cada vez mais reconhecimento no cenário nacional.


