A liberação miofascial deixou de ser um atendimento complementar para se tornar uma ferramenta estratégica de alto impacto na preparação de atletas, especialmente no fisiculturismo, onde amplitude de movimento, simetria e qualidade muscular definem resultados.
Para aprofundar esse tema com base científica e prática clínica, ouvimos Dr. Jeferson Bazeth, fisioterapeuta e quiroprata, especialista em Neurociência da Dor e Correção Postural, referência em reabilitação e performance de atletas.
Segundo o especialista, compreender a importância da fáscia e mantê-la saudável é tão essencial quanto treinar, descansar e nutrir adequadamente.
A fáscia: o tecido que molda a performance do atleta
A fáscia é uma rede contínua que envolve músculos, tendões, articulações e órgãos. Quando saudável, ela permite:
movimento fluido
amplitude adequada
transmissão eficiente de força
equilíbrio postural
proteção contra lesões
Porém, em atletas de alta intensidade — principalmente fisiculturistas em fases de volume — a fáscia adquire sobrecarga, tensão e rigidez.
Dr. Jeferson Bazeth explica:
“O período off é fundamental que a pessoa faça um devido acompanhamento, né? Porque é onde o corpo vai ganhando maior volume e vai perdendo amplitude de movimento. Com isso, vai gerando assimetrias, dores e até mesmo risco de rompimento muscular.”

O que é a Liberação Miofascial e por que atletas precisam dela
A liberação miofascial (LMF) é uma técnica instrumental e manual que atua diretamente na rede fascial para:
soltar aderências
restaurar mobilidade
melhorar amplitude
reduzir tensões e dores
aumentar a eficiência do movimento
otimizar performance
prevenir lesões
Dr. Jeferson Bazeth reforça que o objetivo não é apenas aliviar dor, mas garantir qualidade muscular e funcionalidade:
“É superimportante fazer o trabalho de liberação miofascial pra dar uma melhor qualidade pra essa musculatura, pra esse movimento, e até pra deixar o treino mais leve e evitar qualquer tipo de lesão.”
A LMF ao longo da preparação: Off, Cutting e Pré-Palco
A técnica varia conforme a fase do atleta:
- OFF-SEASON → maior prioridade
É quando há:
aumento de volume
encurtamentos
assimetrias
maior tensão muscular
maior risco de lesão
Por isso, Dr. Jeferson Bazeth orienta:
“O quanto antes o atleta procurar, principalmente no off, seria o ideal. É quando o corpo exige mais cuidados para não perder amplitude e não gerar compensações.”
- Cutting → manutenção e prevenção
Nesta fase, o volume já está mais rígido e a sobrecarga metabólica aumenta.
A LMF ajuda a:
evitar encurtamentos acentuados
preservar a simetria
manter movimentos corretos
- Pré-Palco (último mês) → ajustes finos
Aqui cada detalhe importa.
Dr. Jeferson Bazeth descreve sua conduta:
“Nos últimos trinta dias eu trabalho na individualidade. Indico uma vez por semana na primeira quinzena, e duas vezes na semana nas duas semanas pré-palco. Há casos em que faço no dia da competição, no ato.”
E destaca também que a técnica não prejudica o bronzeamento:
“O profissional especializado não vai deixar marca nenhuma no corpo. Já ajustei detalhes até após mão de tinta, e não houve problema. Cada caso é um caso.”
Antes ou depois do treino? O especialista responde
Uma das dúvidas mais comuns entre atletas é em qual momento realizar a liberação miofascial.
Dr. Jeferson Bazeth explica com precisão:
✔ Antes do treino
Melhor escolha para:
melhorar amplitude
liberar padrões de movimento
reduzir tensões que atrapalham execução
gerar mais leveza corporal
“Performance é leveza, menos tensão e menos dor. Então é interessante fazer antes do treino.”
✔ Depois do treino
Indicado quando o objetivo é:
prolongar o pump
maximizar densidade muscular
melhorar simetria
aumentar qualidade do volume adquirido
“Se o atleta quer que o pump seja mais duradouro e que o volume adquirido seja de melhor qualidade, é interessante fazer depois do treino.”
Periodização ideal: qual a frequência correta?
Não existe uma regra única.
A frequência deve respeitar:
fase da preparação
nível de tensão
tipo de treino
histórico de lesões
assimetrias
densidade muscular
Dr. Jeferson Bazeth deixa claro que a individualidade prevalece:
“Há pessoas que precisam fazer duas vezes na semana, outros a cada quinze dias, outros uma vez ao mês. Depende muito da necessidade desse atleta e da individualidade dele.”
Impacto direto no fisiculturismo: estética, simetria e pose
A liberação miofascial tem efeitos visíveis em atletas de palco:
melhora da abertura torácica
maior projeção muscular
cintura mais funcional
poses mais limpas
dorsais mais expansivas
quadril mais livre
simetria mais evidente
Além disso, ela evita que encurtamentos façam o atleta “fechar” o shape, comum no final do off.
Como trabalha um especialista de excelência
A qualidade técnica do profissional é determinante.
Segundo Dr. Jeferson Bazeth:
a avaliação postural e funcional é obrigatória
cada protocolo é individual
não há risco de marcas ou danos à pele
a técnica se adapta à fase do atleta
ajustes são feitos até momentos próximos ao palco
Sua abordagem envolve anatomia funcional, neurociência da dor e biomecânica.
Conclusão: a LMF é parte do treinamento moderno
Atletas que encaram a liberação miofascial como ferramenta de performance e não apenas como alívio de dor evoluem mais rápido, com mais segurança e maior consistência estética.
Dr. Jeferson Bazeth sintetiza:
“A liberação miofascial melhora amplitude, reduz dores, aumenta qualidade muscular, melhora poses e evita lesões. É fundamental no processo do atleta.”
A técnica não é luxo.
É necessidade para quem vive no limite entre hipertrofia extrema, performance e longevidade no esporte.


