O crescimento explosivo do esporte de força que vem conquistando o Brasil e o mundo
A nova febre da força
Durante décadas, o fisiculturismo reinou absoluto nas academias, ditando estética, volume e definição. Mas um novo protagonista vem roubando a cena e conquistando cada vez mais espaço nas redes sociais, nos campeonatos e nas conversas de vestiário: o Powerlifting, também conhecido como levantamento de peso básico.
Mais do que estética, o powerlifting representa força pura, técnica e superação. A regra é simples, mas o desafio é imenso: levantar o máximo peso possível em três movimentos — agachamento, supino e levantamento terra.
Cada atleta tem três tentativas em cada prova, e vence quem somar o maior total. Simples? Nem tanto. A margem de erro é mínima, a técnica é essencial e o corpo é levado ao limite.
Brasil em ascensão no cenário mundial
Nos últimos anos, o Brasil vem se consolidando como uma potência emergente do powerlifting. A CBLB (Confederação Brasileira de Levantamentos Básicos), filiada à IPF (International Powerlifting Federation), tem ampliado seu calendário, atraído novos atletas e organizado eventos em diversos estados.
O fenômeno ficou claro em abril de 2025, quando Willian “Bitelo” Brito Piovezan fez história no Arnold Classic Brasil, realizado em São Paulo. O atleta que começou levantando sacos de cimento em obras quebrou recordes nacionais, ao erguer 400 kg no levantamento terra e atingir um total de 1.020 kg — números que o colocam entre os maiores do mundo.
A vitória de Bitelo arrastou uma multidão e marcou o momento em que o powerlifting deixou de ser “esporte de nicho” para se tornar um espetáculo de massa.
Em outubro de 2025, o Brasil será palco de mais um marco: o Campeonato Mundial da Global Powerlifting Committee (GPC), em Balneário Camboriú (SC), reunindo atletas de dezenas de países. O evento promete consolidar o país como destino oficial do esporte de força na América do Sul.
Quantos praticam? Um universo em expansão
De acordo com o banco de dados internacional OpenPowerlifting, o powerlifting já soma mais de 3,3 milhões de resultados de competições registrados em todo o mundo.
Um estudo acadêmico publicado em 2024 analisou 21 mil atletas e quase 2 mil campeonatos, revelando um crescimento exponencial da modalidade nas últimas décadas.
No Brasil, ainda não há um censo oficial, mas as estimativas da CBLB e das federações regionais indicam milhares de atletas ativos — entre federados e independentes —, com um número muito maior de praticantes amadores que treinam os “três básicos” em academias.
O perfil é diversificado: homens e mulheres de todas as idades, profissionais do esporte, personal trainers e até ex-fisiculturistas que migraram para o powerlifting em busca de performance e força real.
Os nomes que simbolizam a força brasileira
O país conta com uma geração talentosa e plural. Além de Willian “Bitelo”, o powerlifting nacional tem referências como:
- Ana Rosa Castellain — multicampeã mundial, considerada uma das maiores atletas da história do esporte.
- Eudson Lima — veterano recordista brasileiro e campeão pan-americano.
- Marcelo Del Lama — representante do Brasil nos World Games 2022, símbolo de longevidade e disciplina.
- Kellen Larissa, Cícera Tavares, Bruna Bisol, Lorena Bertoldi e Liz Lima Turani — destaques femininas em ascensão, que vêm quebrando recordes e inspirando outras mulheres a entrarem no esporte.
O duelo simbólico com o fisiculturismo
Embora os dois esportes compartilhem o ambiente das academias, o powerlifting e o fisiculturismo seguem caminhos distintos.
Enquanto o fisiculturista busca o visual perfeito — proporção, simetria e definição —, o atleta de powerlifting busca o máximo desempenho funcional.
| Aspecto | Powerlifting | Fisiculturismo |
|---|---|---|
| Objetivo | Levantar o maior peso possível | Alcançar o melhor físico possível |
| Critério de vitória | Peso total somado nas provas | Avaliação visual de juízes |
| Treino principal | Força, técnica e recuperação | Hipertrofia, dieta e poses |
| Símbolo do sucesso | Quilos levantados | Forma física |
Apesar das diferenças, muitos fisiculturistas vêm incorporando o powerlifting em suas rotinas para ganhar densidade muscular, melhorar a força nos básicos e variar estímulos.
Da mesma forma, atletas de powerlifting se beneficiam de técnicas de nutrição, condicionamento e estética típicas do fisiculturismo — uma troca saudável que une dois mundos de paixão e disciplina.
Curiosidades que impressionam
- A IPF foi fundada em 1972 e realizou seu primeiro Mundial em 1973.
- A modalidade integra os World Games, com 128 atletas disputando 16 provas em 2025.
- O recorde mundial masculino “raw” ultrapassa 1.040 kg no total, somando os três movimentos.
- No feminino, as atletas superam 600 kg de total, mostrando o poder e a técnica das mulheres no esporte.
- O Brasil já figura entre os 20 países com maior número de registros oficiais em competições da IPF.
Um esporte que mede mais que força
O powerlifting é, acima de tudo, um esporte sobre resiliência, superação e controle mental. Cada repetição exige precisão, paciência e coragem.
Não há máscaras, nem juízes da estética: a barra mostra a verdade. Ela não mente, não perdoa e não julga — apenas responde com exatidão à força de quem a levanta.
Para o público da Muscle Show Magazine, o powerlifting representa mais que um esporte: é uma filosofia de vida.
Num mundo que valoriza aparências, ele celebra a essência da força humana.
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