Diretor técnico e sócio da Bodytech revela como transformar academias em experiências inesquecíveis e humanas no novo mercado fitness
Em um universo cada vez mais competitivo, onde academias nascem e morrem ao ritmo das tendências, poucos nomes conseguem equilibrar técnica, propósito e gestão com tanta clareza quanto Eduardo “Dudu” Netto.
Sócio e diretor técnico da Bodytech Company, ele é considerado uma das mentes mais respeitadas do fitness brasileiro — uma referência para empresários, gestores e profissionais que acreditam que o verdadeiro diferencial de uma academia está nas pessoas, não nas máquinas.
Da quadra à gestão — a origem de um líder
“Comecei muito jovem, apaixonado por atividade física. Fui atleta de basquete e jiu-jitsu, e sempre focado em movimento humano”, relembra.
Antes de se tornar gestor, Dudu trabalhou em sala de musculação e como preparador físico, mas foi nas aulas coletivas que encontrou sua verdadeira vocação.
“Grande parte do que conquistei e principalmente do que aprendi como líder veio da minha experiência como professor de localizada. Aos poucos percebi que poderia impactar mais pessoas pela gestão.”
A transição não foi simples. “O maior desafio foi conciliar técnica e visão estratégica sem perder o olhar humano”, diz.
Da técnica à visão — o poder de ampliar o impacto
Para Dudu, o que o moveu à gestão foi a vontade de ampliar o alcance do seu propósito.
“Como gestor, posso criar ambientes onde milhares de profissionais e alunos vivam experiências transformadoras — e isso me motiva mais do que resultados individuais.”
Essa visão moldou o DNA da Bodytech e fez da rede uma referência em experiência premium sem perder o senso de comunidade.
O corpo como sistema integrado
Com mestrado em Motricidade Humana e pós-graduação em Fisiologia do Exercício, Dudu enxerga o treino de forma global.
“A motricidade me ensinou a ver o corpo como um sistema integrado, não como partes isoladas. Isso orienta tudo: desde a prescrição até o design de programas que valorizam performance, saúde e longevidade.”
Para ele, o treino moderno precisa unir ciência, sensações e significado.
Do professor ao gestor — a mudança de lente
“O Dudu técnico busca a excelência da execução; o gestor busca a excelência da experiência.”
Hoje, ele pensa menos em séries e repetições e mais em processos, cultura e propósito.
“Não é que a parte técnica não seja importante — ela é o básico. Mas o que transforma é a vivência, a entrega e o sentimento de pertencimento.”
Gestão moderna — cultura acima da estrutura
Quando o assunto é gestão, Dudu é direto:
“O maior erro das academias é focar demais em estrutura e esquecer o serviço. Muitas investem em máquinas, mas não em pessoas. O diferencial está na cultura, não no equipamento.”
Para ele, a cultura organizacional é o coração de uma rede.
“A cultura define comportamento, não o manual. Ela mantém o propósito vivo em cada equipe, mesmo em diferentes cidades e realidades.”
Na Bodytech, o treinamento vai muito além da técnica: há um processo contínuo de capacitação e curadoria de comportamento.
“Queremos profissionais que entendam tanto de movimento quanto de relacionamento. Hoje, focamos muito no processo seletivo para assegurar que os novos colaboradores tenham nosso DNA.”
Indicadores de sucesso
Os números que ele observa são claros: EBITDA, retenção, NPS e ticket médio.
“O sucesso está menos no número de novos alunos e mais em quantos permanecem e recomendam.”
Ele acredita que o mercado ainda peca na falta de integração.
“Há um processo de onboarding mal estruturado. Falta conexão entre vendas, avaliação inicial, prescrição e acompanhamento. O maior problema é a lacuna de resultados — não conseguimos mostrar evidências claras de progresso.”
O futuro do fitness: força, tecnologia e propósito
Quando questionado sobre o que dominará o mercado até 2030, Dudu é enfático:
“Treinamento de força, tecnologia integrada à experiência humana, saúde mental e longevidade ativa. O futuro é híbrido: high tech e high touch.”
Para ele, a tecnologia certa é a que simplifica a jornada e aprofunda a conexão humana.
“CRM inteligente, apps integrados e ferramentas que personalizam sem substituir o professor.”
A música, o ambiente e a emoção
Dudu defende que a ambientação é parte essencial da experiência.
“A música certa muda a percepção de esforço e cria comunidade. A ambientação traduz o propósito da marca em sensações.”
As aulas coletivas, segundo ele, continuam sendo o palco onde a emoção e a técnica se encontram.
Pesos livres ou máquinas?
“Depende do objetivo e do nível do aluno. Os pesos livres estimulam controle e coordenação; as máquinas oferecem segurança e consistência. O ideal é combinar ambos.”
O equilíbrio entre liberdade e segurança é, para ele, a essência de qualquer metodologia eficiente.
O mercado brasileiro: evolução e maturidade
“O mercado amadureceu muito, especialmente em gestão e experiência, mas ainda carece de métricas, padronização e formação gerencial mais sólida.”
Segundo ele, o que diferencia as operações bem-sucedidas não é o volume de tecnologia, mas a orquestração inteligente de processos simples e humanos.
O fitness sênior — o próximo grande público
“O segmento 60+ será o maior do mercado e exige linguagem, treinos e ambientes específicos. Estamos evoluindo, mas ainda longe do ideal.”
Para Dudu, envelhecer ativo será o grande motor de inovação dos próximos anos.
O conselho para quem quer abrir uma academia em 2025
Dudu Netto responde com um discurso inspirador que reflete sua visão de futuro:
“Está acontecendo uma mudança profunda no mercado fitness. Quem só entrega o básico corre o risco de ficar pra trás.
Hoje, as pessoas não buscam só academia — buscam comunidade, propósito e resultado.
Se você quer ser diferente, não dá pra pensar apenas em aparelhos, ficha e volume.
O novo consumidor valoriza marcas que entendem o todo: treino, nutrição, recuperação, bem-estar.
O futuro é de quem entrega o extraordinário.
Tenha propósito e clareza de posicionamento. Não abra uma academia; crie uma comunidade.”
Marketing, CTs e o novo ecossistema do fitness
Sobre o marketing digital, ele é crítico:
“Há muita exposição e pouca profundidade. O bom marketing educa, inspira e constrói autoridade — não apenas gera likes.”
Quanto aos CTs, Dudu vê potencial, mas cobra maturidade:
“Muitos nasceram sem gestão ou diferenciação real. O desafio é sustentabilidade, não modismo.”
Fusões, franquias e o futuro corporativo
“O mercado está se consolidando. As redes que tiverem cultura forte, tecnologia e propósito claro serão protagonistas da nova fase. Vejo espaço para fusões, franquias e até IPOs nos próximos anos.”
O legado
No fim, o tom é de propósito, não de poder.
“Quero contribuir para um setor mais profissional, humano e colaborativo — onde gestão e propósito caminhem juntos e o exercício seja visto como ferramenta de vida, não apenas de estética.”
Quem é Dudu Netto
Sócio e Diretor Técnico da Bodytech Company
Mestre em Motricidade Humana e pós-graduado em Fisiologia do Exercício
Professor, palestrante e gestor com mais de 25 anos de experiência no mercado fitness
Referência nacional em aulas coletivas, gestão de academias e cultura de experiência


