Do diagnóstico chocante à rotina de ferro: a história inspiradora do fisiculturista que desafia os limites da doença e mostra que disciplina e coragem vencem qualquer obstáculo.
O início dos sintomas
Antes de receber o diagnóstico definitivo, Thiago Santisteban viveu semanas de incerteza, sem imaginar que seu corpo já dava sinais claros de alerta.
“Eu comecei a me sentir muito cansado, um cansaço fora do comum. Acordava cansado, o dia não rendia, sentia muito desconforto abdominal e dores fortes. Esses foram os primeiros sintomas.
Teve um dia que acordei e simplesmente não consegui levantar da cama. Eu não sentia minhas pernas, estavam dormentes e não tinha firmeza para ficar em pé. Quando tentei levantar, minha visão ficou completamente embaçada, como se tivesse uma cortina na frente dos meus olhos. Foi nesse momento que percebi: tinha algo errado, não era normal. Esse foi o estalo que me levou de volta ao hospital, e lá descobriram que minha glicemia estava em 1.200 — já era um quadro avançado.”

O impacto psicológico
O choque maior veio quando, internado, ouviu dos médicos que sua vida havia mudado para sempre.
“O maior desafio foi psicológico. Descobrir a doença ali na UTI foi um filme passando na cabeça. Você entra no hospital achando que vai sair saudável e, de repente, recebe a notícia: ‘Você tem diabetes tipo 1 e vai conviver com isso pro resto da vida’. É como virar uma chave. Você deixa de ser a pessoa que faz o que quer para ser a pessoa que faz o que dá pra fazer.”
No início, Thiago se desesperou ao ler relatos na internet sobre a doença. Encontrou histórias tristes, prognósticos ruins e perspectivas limitadas. Mas ele decidiu não se entregar.
A adaptação e o aprendizado
Com disciplina de atleta, Thiago mergulhou em estudos, buscou referências em atletas internacionais com a mesma condição e encontrou uma nova forma de viver e competir.
“No começo foi difícil me adaptar à dieta, ao treino, a tudo. Mas com o tempo fui entendendo mais sobre a doença, trocando experiências, estudando. Hoje eu preparo meu treino como qualquer atleta normal, mas faço o planejamento considerando minha realidade. Eu resolvi que a parte da diabetes era minha responsabilidade. Eu me cuido.”
A rotina de ferro
O controle rigoroso da glicemia virou parte inseparável da vida de Thiago. Enquanto muitos reclamam de detalhes do treino ou da dieta, ele administra insulina até oito vezes ao dia, calcula cada refeição e mede a glicose antes e depois dos treinos.
“Eu uso dois tipos de insulina: a lenta e a rápida. Faço a medição em cada refeição, antes e depois do treino, justamente para não oscilar. No fisiculturismo, qualquer erro pode ser perigoso, ainda mais para um diabético. É rotina de relógio, porque se eu falhar, meu corpo cobra.”
O atleta prefere o método tradicional, furando o dedo para medir a glicose, ao invés de sensores ou bombas de insulina.
“Prefiro fazer eu mesmo, com a picada no dedo. Isso me dá mais segurança. Cada refeição eu calculo carboidratos, ajusto insulina, faço a correção. Às vezes são sete, oito medições no dia.”
Desafios extras no palco
Durante as fases de preparação para competições, os riscos aumentam. As dietas mais restritivas exigem atenção redobrada para evitar crises de hipo ou hiperglicemia.
“Na definição, que é uma fase muito arriscada, o diabético precisa de rotina perfeita. Qualquer mudança pode gerar uma oscilação perigosa. Então faço tudo nos mesmos horários, mesmas quantidades. É como ser um relógio. Quanto mais você for constante, mais o corpo responde.”
Além disso, Thiago lida com a resistência insulínica, a desidratação e o desafio de não exagerar nas doses.
“O pior é a resistência insulínica. Se você aumenta muito a insulina, o corpo deixa de responder. Então é equilíbrio o tempo todo.”
O empresário visionário
Além da trajetória como atleta, Thiago também é empreendedor de sucesso. Ele é fundador e proprietário do CT O2, um dos primeiros centros de treinamento do Brasil voltado para a alta performance e também para o público que busca transformação física e mental.
O espaço tornou-se referência por sua estrutura diferenciada, programas de acompanhamento e pela filosofia de Thiago: “Treinar não é apenas moldar o corpo, é fortalecer a mente e o espírito.”
No CT O2, centenas de pessoas já encontraram motivação e orientação para superar limites, replicando na prática os valores que Thiago construiu ao longo de sua própria vida.
Títulos e conquistas
Thiago Santisteban coleciona conquistas no fisiculturismo que reforçam seu nome como atleta de elite:
- Campeão Brasileiro em sua categoria
- Top 3 no Arnold Classic Brasil
- Participações de destaque em competições internacionais da IFBB
- Reconhecido como um dos poucos atletas com diabetes tipo 1 a manter nível competitivo de alto rendimento
Esses títulos não representam apenas medalhas, mas a confirmação de que dedicação e disciplina são capazes de transformar uma limitação clínica em combustível para a vitória.
A mensagem de superação
De paciente assustado na UTI a atleta referência, Thiago Santisteban transformou o diagnóstico em combustível. Hoje, ele inspira outros diabéticos e mostra que com disciplina, conhecimento e coragem, é possível ir além dos limites.
“Eu poderia ter desistido. Mas escolhi lutar. Hoje quero mostrar para as pessoas que não existe impossível. Se eu, com diabetes tipo 1, consigo subir em um palco, qualquer pessoa pode vencer seus próprios desafios. O segredo está em não se entregar e acreditar que dá pra fazer.”
📌 Thiago Santisteban é mais do que atleta e empresário. Ele é a prova viva de que as maiores vitórias nascem quando a vida impõe as maiores batalhas.


